A classificação da soja continua a ser um dos maiores desafios para os produtores de Mato Grosso. Muitos sojicultores apontam discrepâncias entre a avaliação realizada nas fazendas e a feita nos destinos finais, o que pode resultar em grandes prejuízos. Estima-se que até 20% da produção seja perdida devido às mudanças nos critérios de avaliação, especialmente em relação a fatores como umidade e avarias nos grãos.
Além disso, a falta de infraestrutura logística agrava ainda mais o problema. A demora na colheita devido às chuvas e a escassez de caminhões para o escoamento aumentam os custos e geram incertezas sobre a qualidade do grão na hora da entrega. Quando a soja chega aos armazéns ou portos, a classificação pode resultar em descontos elevados, impactando diretamente na rentabilidade dos agricultores.
Critérios e impactos financeiros
O sistema de classificação deveria ser um mecanismo de transparência entre produtores e compradores, mas, na prática, nem sempre funciona dessa maneira. Algumas cargas são recusadas por apresentarem índices de avaria acima do permitido, e, caso o contrato não seja cumprido, penalizações financeiras são aplicadas. O problema, segundo os produtores, é que os parâmetros nem sempre são seguidos corretamente.
Um dos maiores pontos de conflito surge quando uma mesma carga de soja recebe avaliações distintas em cada etapa do processo. Por exemplo, um lote classificado com 10% de avaria na fazenda pode chegar ao destino final com mais de 20% de avarias, comprometendo o valor negociado e gerando grandes prejuízos.
Além disso, há relatos de empresas utilizando equipamentos inadequados ou realizando amostragens manuais, o que interfere nos resultados finais. Mesmo empresas com tecnologia para análises mais precisas acabam, em alguns casos, adotando critérios próprios, em desacordo com as normas estabelecidas.
A atuação do Classificador Legal
Para evitar prejuízos aos produtores, a Aprosoja Mato Grosso criou o projeto Classificador Legal. O programa conta com profissionais credenciados pelo Ministério da Agricultura e visa garantir que as regras de classificação sejam aplicadas de maneira justa.
Nos últimos quatro anos, o Classificador Legal evitou perdas superiores a R$ 25 milhões para os agricultores de Mato Grosso. Segundo dados da entidade, isso representa uma economia média de R$ 3.664,41 por carga, considerando os laudos emitidos e as arbitragens realizadas para corrigir descontos indevidos.
A fiscalização da soja
Diante desse cenário, especialistas recomendam que os produtores acompanhem de perto o processo de classificação e, sempre que necessário, acionem o Classificador Legal. Em casos de divergências, a busca pela Justiça também pode ser uma alternativa para garantir o cumprimento dos contratos.