A agropecuária cresceu 3% por ano, em média, no Brasil na última década — bem acima do aumento de 0,86% da economia como um todo —, mas progressivamente reduziu o número de pessoas ocupadas “dentro das porteiras”. Em 2024 não foi diferente e a ocupação no setor caiu 3%, para 7,88 milhões de pessoas, o menor patamar ao menos desde 2012, quando começou a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o terceiro ano seguido de queda. O desempenho foi no sentido contrário ao do mercado de trabalho nacional, já que o número total de trabalhadores no país cresceu 2,6% em 2024.
O setor agropecuário tem se modernizado com o uso de tecnologia e aumento da produtividade, resultando em menos necessidade de trabalhadores com baixa qualificação, substituídos por máquinas e inovações. Esse processo é impulsionado pela maior concentração de atividades voltadas ao comércio exterior, como soja e milho, que demandam mais capital do que trabalho. Embora a automação reduza o número de empregos no campo, surge uma escassez de mão de obra qualificada, especialmente para lidar com inovações.
O perfil do trabalhador também está mudando, com um aumento de pessoas com maior escolaridade no setor. O bom momento do mercado de trabalho tem atraído profissionais com menor escolaridade para outras áreas, devido aos salários mais altos fora do campo. A produtividade do agro tem superado a média da economia, mas a tendência de “liberação de mão de obra” continua, especialmente em períodos de baixa margem de lucro.
Além disso, a geração de empregos no agronegócio se estende a outros setores, como serviços, indústria de insumos e comercialização. Com o crescimento de novos segmentos, como bioinsumos e tecnologia agrícola, a demanda por profissionais qualificados tem aumentado. Contudo, os trabalhadores menos qualificados enfrentam dificuldades de reintegração no mercado, o que requer investimentos em educação e capacitação profissional.
A transição do perfil de trabalhadores tem levado à perda de espaço das famílias nas propriedades rurais e à migração de jovens para as cidades. O aumento da mecanização e das grandes propriedades tem reduzido a necessidade de trabalhadores familiares. Mesmo com o crescimento da renda média no agro, ela ainda é inferior a de outros setores, e os baixos salários, juntamente com as más condições de trabalho, continuam a ser fatores de expulsão do campo.
Além disso, a escassez de mão de obra qualificada também se reflete na alta rotatividade de funcionários e na dificuldade de manter trabalhadores no setor. As condições de trabalho e a perspectiva de crescimento são aspectos importantes para reter os profissionais, especialmente em áreas como a suinocultura, onde a rotatividade é alta.